You’re viewing a text-only version of this website that uses less data. View the main version of the website including all images and videos.
'A Odisseia': 9 coisas que você precisa saber para entender a epopeia que virou filme
- Author, Redação
- Role, BBC Bitesize
- Published
- Tempo de leitura: 7 min
A Odisseia é uma epopeia sobre o retorno de um herói da Grécia Antiga para casa. Foi escrita há milhares de anos e reinterpretada inúmeras vezes.
Nas últimas décadas, foi adaptada para o cinema diversas vezes, e nesta semana o novo filme do diretor britânico Christopher Nolan (de Interestelar e Oppenheimer) entrou em cartaz no Brasil.
Mas por que a obra segue tão popular até hoje?
A BBC Bitesize, plataforma de apoio aos estudos da BBC, explica os principais temas do famoso poema épico e alguns aspectos do mundo da Grécia Antiga, para que você esteja preparado para assistir e aproveitar ainda mais a A Odisseia de Nolan.
1. Um poema épico
A Odisseia é um texto da Grécia Antiga que conta a história do herói fictício Odisseu e sua jornada de volta para casa.
É um poema épico, ou seja, um longo poema que narra as aventuras de um herói da antiguidade.
A palavra "épico" vem do termo grego antigo epos, que significa "narrativa", "palavra" ou "poema".
O texto original é escrito em versos, mantendo assim um ritmo constante, mas que nem sempre rima.
A obra é narrada principalmente em terceira pessoa, por um narrador que oferece ao leitor acesso aos pensamentos e sentimentos de diferentes personagens.
No entanto, os Livros 9 a 12 são narrados pelo próprio Odisseu em primeira pessoa.
2. A Questão Homérica
A Odisseia e outro grande poema épico da Grécia Antiga, A Ilíada, são tradicionalmente atribuídos ao poeta Homero.
A Ilíada se passa durante as últimas semanas da Guerra de Troia e centra-se em Aquiles, o guerreiro mais importante dos gregos.
No entanto, alguns estudiosos argumentam que ambos os textos não foram escritos por uma única pessoa e que podem ter sido compostos por vários autores.
Esse debate é conhecido como a Questão Homérica.
A Odisseia foi traduzida inúmeras vezes. Acredita-se, por exemplo, que existam mais de 100 traduções diferentes para o inglês.
A tradução mais antiga conhecida é uma versão em latim de Lívio Andrônico, do século 3 antes de Cristo (a.C.).
3. Sobre o que trata
O poema começa no final da Guerra de Troia, um conflito de dez anos no qual os gregos lutaram contra os habitantes de Troia, no que hoje é a Turquia.
Odisseu, rei de Ítaca, lutou durante toda a guerra e, assim que os gregos saem vitoriosos, ele embarca na longa jornada de volta para casa para se reunir com sua esposa, Penélope, e seu filho, Telêmaco. Mas as coisas não saem como planejado.
Ao longo do caminho, ele enfrenta criaturas mitológicas, desafia os deuses e perde todo o seu exército.
Enquanto isso, em Ítaca, Penélope e Telêmaco também enfrentam seus próprios desafios.
Penélope é cercada por pretendentes que disputam o trono de Odisseu.
Quando finalmente retorna, Odisseu se disfarça de mendigo e consegue reconquistar Penélope e sua família derrotando seus rivais.
4. Mais de 12 mil versos
Se você planejava ler A Odisseia de uma só vez, talvez seja melhor repensar.
O poema é composto por mais de 12 mil versos e cerca de 121 mil palavras.
O texto original está dividido em 24 livros e, dependendo da sua velocidade de leitura, leva cerca de oito horas para lê-lo completamente.
Mesmo assim, não é o poema épico mais longo já escrito.
Esse título pertence ao Mahabharata, um texto antigo escrito em sânscrito, cuja versão mais longa ultrapassa 200 mil versos e narra a luta pelo poder entre dois grupos de primos, um conflito que culmina na Guerra de Kurukshetra.
5. Quando foi escrito
Outro aspecto da chamada Questão Homérica é que ninguém sabe ao certo quando ou onde o poema foi escrito.
Acredita-se que foi provavelmente na Grécia continental, entre 850 e 750 a.C.
A história, porém, se passa muito antes, durante o final da Idade do Bronze, por volta dos séculos 13 ou 12 a.C.
Começa onde A Ilíada termina e narra os dez anos que se seguiram à queda de Troia.
A história acompanha Odisseu em sua jornada pelo Mar Egeu e outros mares próximos até chegar a Ítaca, uma ilha localizada na costa noroeste da Grécia.
6. Homens, mulheres, deuses e criaturas
Em A Odisseia, conhecemos Odisseu, rei de Ítaca, sua esposa, Penélope, e seu filho, Telêmaco.
Mas, como já vimos, o poema não apresenta apenas seres humanos: inúmeros deuses e criaturas mitológicas também aparecem.
Naquela época, acreditava-se que os deuses e deusas controlavam o que acontecia na vida das pessoas, e que viviam em um palácio entre as nuvens, no Monte Olimpo.
O poema também apresenta Poseidon, deus do mar; seu filho, Polifemo, um ciclope; Atena, deusa da guerra e da sabedoria; Hades, deus do submundo; e Hélio, deus do Sol.
Os leitores também encontram diversas personagens femininas memoráveis, incluindo a feiticeira Circe, que se apaixona por Odisseu, e as sereias, criaturas mitológicas cujos cantos cativantes atraem os marinheiros para a perdição.
Até mesmo um cão aparece: Argos, que reconhece seu mestre Odisseu quando ele volta a Ítaca, apesar do disfarce e dos muitos anos passados.
7. Os conflitos de Odisseu
O poema aborda diversos temas.
A jornada de Odisseu demonstra como a inteligência pode triunfar sobre a força física, mas a obra também explora a separação, a lealdade e a importância de se manter fiel a si mesmo enquanto se persegue um objetivo.
Ao longo da história, vemos como Odisseu ocasionalmente sucumbe à tentação, embora nunca perca de vista seu propósito: retornar para casa.
Enquanto isso, em Ítaca, sua esposa, Penélope, consegue enganar seus pretendentes gananciosos porque se apega à esperança do retorno do marido.
Outro tema central é a justiça divina e a relação entre destino e livre-arbítrio.
Deuses como Poseidon, Zeus e Atena intervêm para ajudar ou atrapalhar Odisseu e seus homens em sua jornada.
No entanto, o herói também mantém a capacidade de tomar suas próprias decisões e influenciar seu próprio destino.
8. Adaptações anteriores
Uma das histórias mais amadas e duradouras da literatura ocidental já teve algumas adaptações cinematográficas no passado.
Ainda na época do cinema mudo, um filme italiano inspirado na Odisseia com aproximadamente 35 minutos foi lançado em 1911 para a ocasião da Expo Internacional de Torino.
A primeira adaptação hollywoodiana foi Ulisses (1954), estrelada pelo célebre ator americano Kirk Douglas.
Ulisses é o nome pelo qual Odisseu é conhecido na tradição latina.
Dirigido por Mario Camerini, o filme cortou vários episódios da trama original e expandiu a história de Penélope.
Os italianos fizeram mais uma adaptação em 1968, uma minissérie em oito capítulos que tinha a estrela Irene Papas como Penélope.
Em 1997, estreou outra minissérie de televisão que narrava primeiro os eventos da Ilíada e depois os da Odisseia, apresentando os acontecimentos de ambas as obras em ordem cronológica.
A série era estrelada por um elenco internacional com Isabella Rosselini, Armand Assante e Christopher Lee e foi dirigida por Andrei Konchalovsky.
A Odisseia também inspirou a comédia musical E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (2000), escrita e dirigida por Joel e Ethan Coen.
O filme acompanha Ulysses Everett McGill, interpretado por George Clooney, e dois companheiros de cela que escapam de uma gangue no Mississippi da década de 1930 em busca de um tesouro enterrado.
O clássico também inspira a estrutura de Cold Mountain (2003), filme com Jude Law e Nicole Kidman que se passa na Guerra Civil dos Estados Unidos.
9. A Odisseia de Nolan
Uma nova adaptação dirigida por Christopher Nolan — o cineasta por trás de Batman: O Cavaleiro das Trevas e Oppenheimer — estreou no Brasil em 16 de julho.
O ator americano Matt Damon (que também atuou em Interestelar e Oppenheimer) interpreta Odisseu.
Ele deixou a barba crescer para o papel, pois Nolan temia que uma barba falsa não resistisse ao vento e à chuva durante as filmagens.
Tom Holland, conhecido por interpretar o Homem-Aranha, dá vida ao seu filho, Telêmaco; Anne Hathaway, estrela de O Diabo Veste Prada, interpreta Penélope; e Zendaya interpreta a deusa Atena.
O elenco estelar também inclui Robert Pattinson, Charlize Theron e Elliott Page.
O filme contou com um orçamento estimado em US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão) e foi filmado em locações na Itália, Grécia, Marrocos, Malta, Escócia e Irlanda.
Quando o trailer foi lançado, houve alguma controvérsia em torno do uso de sotaques americanos e diálogos com um tom moderno, que alguns consideram incompatíveis com o cenário da Grécia Antiga.