Resposta do Irã deixa mortos e aumenta escalada com EUA após rompimento do cessar-fogo

 Uma bandeira dos EUA em um uniforme militar americano.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Total de mortos americanos chegou no total a 16
    • Author, Kathryn Armstrong
    • Reporting from, Washington D.C.
  • Published
  • Tempo de leitura: 3 min

Dois militares americanos morreram e um está desaparecido após o Irã atacar a Jordânia na sexta-feira (17/7) com mísseis balísticos e drones, anunciaram autoridades militares dos EUA. Irã e Jordânia estão geograficamente frente a frente, separados pelo Golfo Pérsico, e o território jordaniano abriga uma base americana.

No sábado à noite, os Estados Unidos lançaram uma nova rodada de ataques aéreos contra o Irã, por ordem do presidente Donald Trump, informou o Comando Central dos EUA (Centcom).

Autoridades militares americanas não divulgaram a identidade dos mortos, nem forneceram detalhes sobre as circunstâncias do incidente ou em que parte da Jordânia ocorreu este ataque.

Segundo a mídia estatal iraniana, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou ter destruído pelo menos dois aviões de combate americanos na madrugada de sábado na base de Al-Azraq, na Jordânia. As forças armadas da Jordânia já tinham anunciado a interceptação de 10 mísseis iranianos disparados contra seu espaço aéreo durante a noite de sexta.

Os ataques americanos de sábado, na oitava noite consecutiva de ofensivas, foram "concebidos para reduzir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz", afirmou o comunicado.

Os bombardeios têm como objetivo "punir rapidamente as forças da Guarda Revolucionária Islâmica que lançaram ataques contra militares americanos na Jordânia na noite passada", prosseguiu a nota, sem fornecer mais detalhes.

O número total de mortos dos EUA no conflito subiu para 16, após um piloto da Marinha dos EUA que estava desaparecido desde o início deste mês ser dado como morto.

No Irã ao menos 50 pessoas foram mortas e mais de 500 ficaram feridas em ataques dos EUA nas últimas três semanas, informou a mídia estatal iraniana, citando o Ministério da Saúde do país.

Em resposta ao anúncio das mortes, o Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, escreveu no X: "Que Deus os proteja, heróis. Seu sacrifício apenas fortalece nossa determinação."

O Centcom informou que outros quatro militares americanos foram levados para hospitais na Jordânia para receberem atendimento, mas já tiveram alta.

As hostilidades entre os EUA e o Irã se intensificaram novamente na última semana, com os EUA reimpondo um bloqueio aos portos iranianos e Teerã atacando aliados dos EUA no Golfo, incluindo a Jordânia, e declarando o fechamento do Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos fazem a sétima noite consecutiva de ataques contra o Irã desde que o presidente Donald Trump declarou o fim do acordo de cessar-fogo.

Milhares de pessoas foram mortas em todo o Oriente Médio desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, segundo dados oficiais.

Washington e Teerã chegaram a um acordo preliminar para pôr fim à guerra em junho, mas o acordo não durou muitas semanas.

No final da noite de sábado (18/7), no Irã, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou em um comunicado que as "repetidas violações" do acordo por parte dos Estados Unidos "revelaram uma verdade fundamental: a assinatura do presidente americano não tem valor algum e é totalmente desprovida de credibilidade".

Khamenei não é visto em público desde o ataque que matou seu pai no início da guerra.